(Tão bom este comentário do JMB que passa a post):
Aqui vai a receita de ano novo, proclamada com muito propósito por Bocage:
Estando o autor na cela do seu amigo Fr. João de Pousafoles, e acontecendo apagar-se-lhe um cigarro, pediu lume, que o dito amigo lhe recusou
Amigo Frei João, cuidas que é barro
O fumoso tabaco por que berro?
Um nigromante me transforme em perro,
Se há coisa para mim como o cigarro!
Ele me arranca pegajoso escarro,
Que nas fornalhas deste peito encerro;
O frio, as aflições de mim desterro,
Quando lhe lanço a mão, quando lhe agarro.
De vício tal, se é vício, não me corro,
E só tomo rapé, simonte ou esturro,
Quando quero zangar algum cachorro.
Amigo Frei João, não sejas burro;
Diz bem do cigarro; senão, morro;
Traz-me lume já ou dou-te um murro!
(Tão bom este comentário do JMB que passa a post):
Aqui vai a receita de ano novo, proclamada com muito propósito por Bocage:
Estando o autor na cela do seu amigo Fr. João de Pousafoles, e acontecendo apagar-se-lhe um cigarro, pediu lume, que o dito amigo lhe recusou
Amigo Frei João, cuidas que é barro
O fumoso tabaco por que berro?
Um nigromante me transforme em perro,
Se há coisa para mim como o cigarro!
Ele me arranca pegajoso escarro,
Que nas fornalhas deste peito encerro;
O frio, as aflições de mim desterro,
Quando lhe lanço a mão, quando lhe agarro.
De vício tal, se é vício, não me corro,
E só tomo rapé, simonte ou esturro,
Quando quero zangar algum cachorro.
Amigo Frei João, não sejas burro;
Diz bem do cigarro; senão, morro;
Traz-me lume já ou dou-te um murro!